Ciclo de corte da Selic: como a curva de juros reage e o que isso significa para prefixados e IPCA+
Em 16 de setembro de 2026, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano, em decisão unânime, segundo o comunicado da 281ª reunião. As próximas reuniões estão marcadas para 3 e 4 de novembro e para 8 e 9 de dezembro de 2026.
Mudanças na Selic costumam gerar dúvidas sobre o comportamento dos títulos de renda fixa. Este artigo explica, de forma educativa, o que é a curva de juros e como ela se relaciona com títulos prefixados, atrelados à inflação e indexados ao CDI.

O que é a curva de juros
A curva de juros, também chamada de estrutura a termo das taxas de juros, mostra as taxas negociadas no mercado para diferentes prazos. Ela reúne, em um mesmo gráfico, as taxas para vencimentos curtos, médios e longos.
A Selic define o custo do dinheiro no prazo de um dia. As taxas dos prazos mais longos são formadas pelos participantes do mercado e refletem expectativas sobre inflação, política monetária, contas públicas e cenário externo, além de um prêmio pelo risco de prazo.
Por isso, a decisão do Copom influencia diretamente a ponta curta da curva. A ponta longa pode se mover em direção diferente, a depender de como o mercado avalia o cenário futuro.
Formatos possíveis da curva
A curva pode apresentar inclinação positiva, quando as taxas longas superam as curtas. Pode ser invertida, quando as taxas curtas são maiores. Também pode ser plana, quando há pouca diferença entre os prazos.
Em ciclos de redução da Selic, a ponta curta tende a acompanhar o movimento da taxa básica. O comportamento dos vencimentos longos depende da percepção de risco e das expectativas de inflação, e não da decisão do Copom isoladamente.
Títulos prefixados e a relação inversa entre taxa e preço
Um título prefixado tem a taxa definida no momento da aplicação. Quando mantido até o vencimento, o investidor recebe a rentabilidade contratada, sujeita ao risco de crédito do emissor.
Antes do vencimento, porém, o preço do título varia conforme as taxas de mercado, processo conhecido como marcação a mercado. A relação é inversa: quando as taxas de mercado caem, o preço do título já emitido tende a subir; quando sobem, o preço tende a cair.
Exemplo hipotético e didático: um título prefixado foi adquirido a 13% ao ano. Se, depois disso, títulos semelhantes passarem a ser negociados a 12%, o título antigo tende a ter seu preço de mercado valorizado. Se as taxas subirem para 14%, o efeito tende a ser o oposto. Em caso de venda antecipada, o resultado pode ser diferente da taxa contratada, inclusive negativo.
Duration e sensibilidade
A duration mede o prazo médio dos fluxos de pagamento de um título. Quanto maior a duration, maior tende a ser a sensibilidade do preço às variações das taxas de juros.
Títulos de vencimento longo, em especial os que não pagam juros periódicos, costumam apresentar oscilações de preço mais intensas no período anterior ao vencimento.
Títulos atrelados à inflação (IPCA+)
Os títulos atrelados ao IPCA combinam dois componentes: a variação da inflação no período e uma taxa real definida na aplicação.
A parcela da taxa real também está sujeita à marcação a mercado. Assim, esses títulos podem apresentar oscilações de preço quando as taxas reais negociadas no mercado se alteram.
No cenário de referência apresentado no comunicado da 281ª reunião do Copom, a projeção para o IPCA é de 5,2% em 2026, 3,9% em 2027 e 3,2% no primeiro trimestre de 2028. As expectativas da pesquisa Focus citadas no mesmo comunicado eram de 4,9% para 2026 e 4,3% para 2027.
Títulos indexados ao CDI
Títulos que remuneram um percentual do CDI acompanham a taxa de juros de curto prazo. Em um ciclo de redução da Selic, a remuneração desses títulos tende a acompanhar a queda da taxa básica ao longo do tempo.
Por terem baixa sensibilidade à marcação a mercado, esses títulos costumam apresentar menor oscilação de preço. Isso não elimina outros riscos, como o de crédito do emissor.
Por que a ponta longa nem sempre acompanha a Selic
Segundo o comunicado do Copom de setembro de 2026, a magnitude total do ciclo de ajuste dos juros será definida à luz de novas informações. Isso significa que não há trajetória previamente estabelecida.
A ponta longa da curva incorpora fatores como a percepção sobre as contas públicas, o cenário internacional e a credibilidade da política monetária. Por esse motivo, é possível observar redução da Selic com estabilidade ou até alta das taxas longas.
Conclusão
A curva de juros reúne as expectativas do mercado para diferentes prazos e ajuda a compreender por que títulos de renda fixa podem apresentar comportamentos distintos em um mesmo ciclo de política monetária. Conhecer conceitos como marcação a mercado e duration contribui para uma leitura mais clara dos extratos e das oscilações de preço.
A escolha entre prefixados, títulos atrelados à inflação ou ao CDI depende de objetivos, prazo e tolerância a oscilações, fatores que variam de pessoa para pessoa.
Para receber orientação adequada ao seu perfil, é necessário falar com um assessor autorizado.
Fonte: Banco Central do Brasil, comunicado da 281ª reunião do Copom (16/09/2026).
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