VVAR3 – Via Varejo

VVAR3- Via Varejo quer “maior virada do varejo brasileiro” após vender 15 vezes um dia normal na Black Friday

Seis meses, muitas demissões e mais 50 contratações depois, Roberto Fulcheberguer, atual diretor-presidente da VVAR3- Via Varejo, dona da Casas Bahia, Ponto Frio e das operações do Extra.com, acredita ter retomado o foco da companhia no varejo e arrumado a casa. Até então, os executivos consideravam que o foco estava perdido. Agora, a missão é, como visto em todo o setor, ocupar novas posições, e, segundo Fulcheberguer, protagonizar “a maior virada do varejo brasileiro”.

No Investor Day 2019, evento anual em que a companhia apresenta seu planejamento a investidores, os principais executivos lembraram a trajetória da nova gestão até aqui, culminando em uma Black Friday recorde para o varejo nacional com R$ 1,1 bilhão em vendas (15 vezes a venda de um dia normal da companhia) e em um quarto trimestre lucrativo após longos balanços de espera para sair do vermelho.

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Indícios de fraude
Na semana passada, a VVAR3 – Via Varejo divulgou a descoberta de indícios de fraude contábil em gestões anteriores e estimou os custos dessa irregularidade entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,4 bilhão. Pelas investigações preliminares, os envolvidos são funcionários de médio escalão da própria VVAR3 – Via Varejo, e não do GPA, antigo dono da empresa – mas a conclusão das investigações está prevista para fevereiro.

A grande dúvida dos investidores para o próximo ano é como a nova gestão irá lidar com essa crise e, principalmente, como evitará novas fraudes.

Olhando para frente: dados e tech
Com mais de 87 milhões de clientes no total (sendo 22 milhões que compraram nos últimos 12 meses), operações de crediário (com 5 milhões de clientes ativos) e banco digital (com o BanQi), o intuito da companhia é passar a monetizar ativamente os dados dos usuários de maneira omni, ou seja, conhecer o cliente e ativar compras em todas as plataformas (digital, física, mobile).

A base de dados gigantesca é vista por analistas como um dos grandes trunfos da companhia na comparação com o restante do setor, já que mais de 80% da população economicamente ativa já teve algum tipo de contato com pelo menos uma das marcas do grupo.

Mais lojas
Com 1.071 unidades, a companhia não põe em escanteio a expansão física – essencial em um país como o Brasil, com sua logística pesada. Agora, o foco está em reformar mais de 100 lojas (com incremento nas vendas estimado em 30%) e ampliar a pegada no Norte e Nordeste, regiões em geral falhas em atendimento principalmente no que diz respeito ao e-commerce. A companhia estima entre 70 e 90 inaugurações no ano que vem.

Guidance: crescendo dois dígitos
Fulcheberguer não abre números precisos, mas garante que o crescimento em vendas vai ser de dois dígitos em 2020, com incremento do GMV em 30% e margem Ebitda entre 5% e 7%. Também garante que a operação será lucrativa.

O investimento em novas lojas e produtos girará em torno de R$ 700 a R$ 800 milhões, segundo os executivos, que apostam que a estrutura atual de capital e a geração de caixa dos próximos meses será suficiente para custear o Capex.