Suzano (SUZB3)

A Suzano  (SUZB3) reportou um resultado levemente acima do esperado no terceiro trimestre, com EBITDA de R$ 2,4 bilhões, 4% acima do nosso e em linha com o consenso (-22% T/T, -55% A/A). O principal destaque positivo foi a forte redução de 450kt nos estoques, valor que se compara as 300kt esperadas pelo mercado, o que ajudou a impulsionar a geração de caixa.

Do lado negativo, o nível de endividamento da Suzano (SUZB3) (medido pela relação dívida líquida/EBITDA) segue sendo uma preocupação, uma vez que um EBITDA mais baixo continua sendo uma realidade nos resultados dado os menores volumes e preços: A relação Dívida Líquida / EBITDA atingiu 4,7x, versus 3,5x no 2T, com a depreciação do real colaborando com a deterioração.

Operacionalmente, o desempenho mais forte no segmento de papel foi o principal responsável por levar os resultados da Suzano (SUZB3) a superarem nossas estimativas, enquanto os números de celulose vieram, no geral, em linha com os nossos.

suzano suzb3

Apesar da falta de visibilidade em relação aos preços de celulose adiante e, consequentemente, no que se refere à alavancagem da empresa, nós vemos com bons olhos o esforço da Suzano em normalizar os níveis de estoque e reiteramos nossa visão positiva sobre a dinâmica da oferta / demanda no longo prazo. Dito isso, mantemos nossa recomendação de Compra nas ações da Suzano (SUZB3).

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Papel: Resultados positivos guiados por menores custos
Na operação de papel, o EBITDA de R$ 385 milhões foi 19% superior ao nosso (+61% T/T). O custo operacional por tonelada 16% abaixo do esperado (-35% T/T) foi a principal razão para a superação das nossas expectativas. Os preços permaneceram estáveis ​​(-1% vs. XPe), enquanto os volumes em 313kt foram +4% superiores ao trimestre anterior (+1% acima do nosso). Dessa forma, a empresa lançou mão de sua flexibilidade de operar em vários mercados e, consequentemente, se beneficiou de um aumento de +12,5% T/T nas vendas para o mercado interno, principalmente devido ao impacto positivo da sazonalidade no mercado brasileiro, ao passo que o mercado internacional sofreu com a deterioração dos preços.

Celulose: Em linha com o esperado, mas todos os olhos estão voltados nos estoques
No segmento de celulose, o EBITDA de R$ 2 bilhões veio em linha com o nosso, mas ainda -19% inferior ao 2T e -52% no comparativo anual. Os preços foram o destaque positivo (+10% vs. XPe) e os volumes foram 2% superiores ao que esperávamos. Contudo, o custo operacional por tonelada foi um detrator, vindo +17% acima das nossas estimativas. Os resultados continuaram pressionados por preços sequencialmente mais baixos (-15% T/T), mas, do lado positivo, os volumes em 2,549mt cresceram +15% no trimestre (ainda -12% A/A). Além disso, o custo caixa sem parada em US$654/t apresentou uma queda de -6% no trimestre: mesmo rodando com níveis inferiores de produção, a Suzano (SUZB3) foi capaz de reduzir seu custo fixo, por meio de um mix mais eficiente entre as fábricas de celulose (com Três Lagoas tendo maior participação na produção total).