Santander (SANB11): Resultado 4T19

O Santander Brasil acaba de divulgar bons lucros neste último trimestre de 2019. O resultado foi auxiliado por maiores receitas, custos sob controle e melhoras na inadimplência. O lucro veio em linha com as nossas estimativas, em R$3,7 bilhões, o que implica em um retorno sob patrimônio líquido de 21,3% (vs. 19,9% no mesmo trimestre do ano anterior).

Porém, nossa preocupação é principalmente com a qualidade das receitas. Receitas de serviço pararam de crescer, e ainda sim ajudadas por linhas que consideramos de pouca sustentabilidade. Já a margem financeira foi novamente ajudada por ganhos de tesouraria, enquanto a margem financeira que vêm do crédito tem consistentemente crescido menos do que a carteira devido ao menor spread. Consideramos estes sinais negativos, principalmente levando em conta o cenário que vemos pela frente, que é de: (1) maior competição em serviços, principalmente devido a maior competição de fintechs, corretoras independentes e novos entrantes; e (2) SELIC mais baixa da história e o teto do juro no cheque especial, que devem continuar afetando a margem financeira do banco em 2020.

Contudo, tivemos duas surpresas positivas no trimestre: (1) os modelos do Santander continuam provando ser uma grande vantagem comparativa do banco, uma vez que estão conseguindo manter baixa ou mesmo melhorar a inadimplência do banco mesmo em um cenário onde a carteira está se voltando para segmentos mais arriscados (pessoa física, pequenas e médias empresas); e (2) o banco tem conseguido manter suas despesas sob controle, crescendo abaixo da inflação, e essa eficiência vai ser um indicador importante da rentabilidade futura do banco.

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Principais Destaques

  • Outro destaque positivo foi nas linhas de gastos, que o banco conseguiu manter em controle e crescer abaixo da inflação em 3% anualmente para R$ 5,7 bilhões. O resultado foi principalmente derivado pela linha de pessoal, que cresceu apenas 2% anualmente para R$ 2,5 bilhões.
  • carteira de crédito continua em um crescimento saudável, avançando 15% anualmente para R$ 352 bilhões. Conforme indicado pelo BACEN, o segmento de grandes empresas está se recuperando e o Santander postou um crescimento de 12% anualmente nesta linha para R$ 97 bilhões (contra um decréscimo de 1% no trimestre anterioe e um saldo de apenas R$ 90 bilhões).
  • Na nossa visão, a grande surpresa positiva no trimestre foi a inadimplência controlada. Os já renomados modelos do Santander se provaram uma poderosa ferramenta também neste trimestre, uma vez que o banco conseguiu melhorar sua inadimplência em 20 pontos base para 2,9%. Essa situação é especialmente boa se considerarmos que o banco tem migrado sua carteira para pessoas físicas, pequenas e médias carteiras, segmentos mais arriscados.
  • Diferentemente do trimestre anterior, as receitas de serviço do banco vieram sem crescimento em R$ 4,8 bilhões. Nossa preocupação é que as linhas que consideramos mais sustentáveis, como da corretora e da seguradora, vieram com baixo crescimento ou negativo. Por outro lado, as receitas de conta corrente, que consideramos menos sustentáveis, ajudaram o resultado. Vemos esse cenário como negativo.
  • Outro destaque positivo foi nas linhas de gastos, que o banco conseguiu manter em controle e crescer abaixo da inflação em 3% anualmente para R$ 5,7 bilhões. O resultado foi principalmente derivado pela linha de pessoal, que cresceu apenas 2% anualmente para R$ 2,5 bilhões.