Resumo da Semana 28/08

Ibovespa: 0,6% | 102.143 pontos

O Ibovespa fechou a semana em 102.143 pontos, registrando ligeira alta de 0,6%. Atribuímos tal performance sobretudo à piora no clima em Brasília, devido a divergências em relação ao programa Renda Brasil, e ao consequente aumento das preocupações com o cenário fiscal. Mercados internacionais, por outro lado, apresentaram ganhos expressivos, com o S&P subindo 3,3% e atingindo seu maior nível na história, e Eurostoxx em alta de 1,8%. Ambos os índices foram beneficiados, dentre outros fatores, pelo anúncio de Trump para novo tratamento plasmático para casos graves de coronavírus, e pela redução da tensão comercial entre EUA e China.

Outro ponto que impactou positivamente os mercados internacionais foi o anúncio da autoridade monetária dos EUA, o Federal Reserve, confirmando que manterá juros baixos por mais tempo. O FED também anunciou que adotará uma abordagem mais flexível em relação às metas de inflação e com abordagem mais parcimoniosa com a taxa de desemprego. A fala da autoridade sinaliza uma mudança de estratégia, tendo em vista que dados de inflação têm vindo sequencialmente abaixo da meta há anos, e foi bem recebida pelo mercado.

Já no Brasil, a divergência entre Jair Bolsonaro e Paulo Guedes seguiu no topo do noticiário político. No começo da semana, houve adiamento do Pró-Brasil, devido a divergências sobre o valor do benefício a ser pago no Renda Brasil, o braço social do programa. Posteriormente, o Ministério da Economia sugeriu o Planalto extinguir programas sociais considerados ineficientes no combate à pobreza para abastecer o novo auxílio sem pressionar o teto de gastos, mas o presidente Bolsonaro se posicionou contra, levantando preocupações com o cenário fiscal nacional. Já na sexta-feira, de acordo com o Broadcast, o ministro Paulo Guedes levaria a definição do novo auxílio emergencial em R$ 300, prorrogando o pagamento até dezembro, nos moldes solicitados pelo presidente, ao passo que a nova proposta para o Renda Brasil ficaria para depois.

Por fim, no campo econômico, tivemos a divulgação do IPCA-15, que apresentou expansão de 0,23% em agosto e de 2,28% no acumulado de 12 meses. Com a retomada gradual das atividades, sete dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados apresentaram inflação na primeira quinzena de agosto. Diante disso e das surpresas inflacionárias em alguns alimentos e nos preços da gasolina, decidimos revisar a nossa projeção de IPCA de 1,1% para 1,4% em 2020. Já para 2021, diante da menor inflação que esperamos para o setor de serviços, para os alimentos e para a gasolina, revisamos a nossa projeção de IPCA de 3,0% para 2,7%.

Câmbio e juros

O Real fechou registrou valorização de 3,7% frente ao Dólar nesta semana, encerrando o período em R$ 5,41/USD. Já a curva DI para o vértice de janeiro/31 fechou 5 bps na semana, atingindo os 7,66%.

O que esperar

A divulgação do PIB do segundo trimestre de 2020 será o principal destaque da agenda econômica doméstica da próxima semana. A nossa expectativa é de que todos os grandes setores da economia apresentem queda significativa no período, com exceção da agropecuária. Na comparação com o mesmo período do ano passado, esperamos que o PIB do segundo trimestre apresente contração de 9,8%. Já na comparação com o primeiro trimestre desse ano, projetamos queda de 8%, puxada principalmente pela indústria de transformação (-15,9%), outros serviços (-18,9%) e formação bruta de capital fixo (-20,2%). Além disso, no Brasil, também teremos a divulgação da produção industrial de julho e dos dados de PMI referentes a agosto. No cenário internacional, os dados de PMI das principais economias e os pedidos de seguro desemprego nos Estados Unidos serão as principais divulgações.