Petrobras (PETR4)

Petrobras (PETR4): Leilão da Cessão Onerosa: controvérsia do começo ao fim

Em 6 de novembro, o governo brasileiro realizou o leilão de barris excedentes da Cessão Onerosa.

Apenas dois blocos foram leiloados com sucesso: (1) Búzios, adquirido por um consórcio formado pela Petrobras (90%), CNODC (5%) e CNOOC (5%) e (2) Itapu, adquiridos somente pela Petrobras. Atapu e Sépia não receberam nenhuma oferta

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Temos uma avaliação ligeiramente negativa dos resultados do leilão para a Petrobras (PETR4). Apesar da qualidade dos ativos do leilão da Cessão Onerosa, a predominância da empresa nas ofertas sinalizou um desvio pontual na estratégia atual de redução do endividamento.

No todo, a Petrobras (PETR4) deve pagar R$ 63,1 bilhões em bônus de outorga no leilão da Cessão Onerosa, que serão pagos até 27 de dezembro de 2019, dado que as ofertas apresentadas não tinham em relação aos níveis mínimos de excedente em óleo ao governo.

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Excluindo o reembolso de R$ 34,1 bilhões do governo federal como parte da revisão do contrato original da Cessão Onerosa, a Petrobras (PETR4) deve ter um desembolso líquido de R$ 29 bilhões no leilão, implicando um aumento da alavancagem para 2,22x Dívida Líquida / EBITDA, em comparação ao nível de 1,96x no 3T19.

Com base nas demonstrações financeiras da Petrobras (PETR4), dos R$ 54,9 bilhões em caixa e aplicações no último trimestre, R$ 25,1 bilhões estão no Brasil e R$ 28,2 bilhões estão no exterior.

Observamos também que a alteração do contrato de Cessão Onerosa assinada pela Petrobras (PETR4) e pelo Governo Federal prevê que o reembolso de R$ 34,1 bilhões (ou US $ 9.058 bilhões) deste último ocorra simultaneamente com o pagamento dos bônus do leilão, desde que o valor arrecadado seja igual ou superior ao ressarcimento, o que é o caso.

Finalmente, dada a pequena participação de outras empresas no consórcio vencedor de Búzios, acreditamos que haverá poucos ganhos para a Petrobras (PETR4) com a compensação do atraso da produção original da Cessão Onerosa. Na nossa visão, isso deve levar a um desapontamento das expectativas do mercado quanto à possível redução do endividamento da companhia com a entrada de tais recursos.

Nossa opinião dos impactos para o governo
Vemos o resultado do leilão como negativo para o governo brasileiro, uma vez que os blocos da Atapu e da Sépia não foram leiloados, implicando uma decepção de R$ 36,6 bilhões na arrecadação de recursos

Em nossa opinião, esse resultado reflete a incerteza em termos de retorno para os participantes do leilão devido a (1) altos bônus de outorga e (2) incertezas na projeção de fluxos de caixa dos projetos devido à necessidade de compensação do atraso da produção da Petrobras referente ao contrato da Cessão Onerosa (assinado em 2010). As negociações dos termos desse ressarcimento apenas seriam negociadas entre a Petrobras e os consórcios vencedores após o leilão, implicando um elevado grau de incerteza.

Temos uma recomendação de compra na Petrobras (PETR4). Nossos preços-alvo em 12 meses são de R$ 36,0 e R$35,0 para PETR4 e PETR3. Nossas estimativas ainda não refletem o impacto dos resultados do leilão da Cessão Onerosa.