BRF (BRFS3): Resultado do terceiro trimestre sólido, mas abaixo do esperado

A BRF (BRFS3) apresentou resultados sólidos, mas abaixo do esperado, no 3T19, com EBITDA ajustado de R$ 1.142 milhões (excluindo ganhos de R$ 467 milhões referente a ações tributárias), 7% menor que o nosso. A margem EBITDA consolidada de 13,5% ficou 116 pontos-base abaixo da nossa (13,7% no 2T19).

O segmento Halal foi o principal destaque negativo, com EBITDA 9% abaixo do nosso, enquanto o Brasil superou nossas estimativas e outros resultados internacionais permaneceram fortes (EBITDA 8% acima do nosso), continuando impactado pela peste suína africana.

Do lado positivo, a dívida líquida / EBITDA da BRF (BRFS3)caiu de 6,7x no 3T18 para 2,9x no 3T19, com uma geração operacional de caixa de R$ 1.364 milhões no 3T19. A empresa revisou sua meta de dívida líquida / EBITDA de 3,15x em 2019 para 2,9x.

Em nossa opinião, o EBITDA ajustado abaixo do esperado pelo mercado de R$ 1,2 bilhão pode pesar nas ações, mas continuamos a esperar resultados positivos à frente e vemos as ações em patamares atrativos, negociando a 6,7x EV / EBITDA 2020. Mantemos nossa recomendação de compra.

BRF (BRFS3)

Compre ações da BRF (BRFS3) e também de outras grandes empresas do Brasil.

Brasil: fortes resultados; Margem EBITDA de 12%
No Brasil, o EBITDA ajustado de R$ 541 milhões ficou 5% acima de nossas estimativas, com uma margem EBITDA de 12,3%, em linha com a nossa. Anualmente, a receita aumentou 6% com preços 8% maiores A/A (-0,3% QoQ), compensados ​​por volumes mais fracos de 1,7% (+ 7,7% QoQ), principalmente devido ao declínio das vendas in natura, devido a volumes mais altos no último ano, na tentativa de reduzir os níveis de estoque. No final do 3T19, a participação de mercado consolidada da BRF alcançou 43,6%, queda de 1,2 p.p. A/A, seguindo o foco da empresa na lucratividade.

Halal: desempenho mais fraco do que o esperado devido a volumes e preços
No Halal, o EBITDA ajustado de R$ 287 milhões ficou abaixo da nossa estimativa de R$ 316 milhões, com uma margem EBITDA de 13,7% vs. XPe em 14,7%. Anualmente, os volumes caíam 2% principalmente devido a menores exportações para o Iraque, seguindo a restrição parcial do mercado às importações de produtos da Turquia. Essa restrição deu origem a um excedente de oferta em alguns mercados do Golfo, resultando em uma queda de 3% no preço A/A. Do lado positivo, um desempenho operacional sólido e um crescimento robusto de volume na Arábia Saudita compensaram parcialmente a queda na receita líquida.

Performance dos outros mercados internacionais superam nossas estimativas mais uma vez; Destaque para os preços mais altos
No segmento internacional, o EBITDA ajustado de R$ 391 milhões ficou acima da nossa estimativa de R$ 362 milhões, com margem EBITDA em 23% vs. XPe em 22%, com os preços mais altos sendo o principal fator para o bom resultado. Na comparação anual, as receitas tiveram alta de +39%, com aumento de +32% e +5% nos preços e volumes, respectivamente.

Segundo a BRF (BRFS3), o surto de Peste Suína Africana em diversos mercados impactou a dinâmica comercial asiática. O menor volume produzido de suínos na China refletiu em uma maior demanda por produtos importados, quase dobrando o volume embarcado pela BRF (BRFS3)no terceiro trimestre para o país, com preços em dólares subindo 77,4% A/A. No Japão e na Coréia do Sul, a expectativa de uma oferta mais restrita levou os países a começarem a estocar, beneficiando os volumes exportados para esses destinos.

Vale ressaltar que os anúncios de habilitações de novas plantas para o mercado chinês ocorreram somente no final de setembro, sem efeito significativo sobre nos resultados do 3T da BRF (BRFS3).